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terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Fim do Mundo - Conclusão


Em entrevista ao Jornal de Espiritismo, da ADEP, Divaldo Pereira Franco fala sobre a questão do "Fim do Mundo":

«ADEP/JDE – 2012 é um ano mágico? Segundo as tradições Maias e outras, parece que vão acontecer muitas coisas, terramotos, tsunamis.

Divaldo – Eu confesso que não acredito. Porque é provável que os Maias hajam parado o seu calendário por qualquer circunstância que nos escapa. A humanidade gosta muito de tragédias, de fenómenos físicos dolorosos, de apocalipses e desgraças. Os Espíritos nobres afirmam que essas profecias não podem ter data fixa, porque dependem muito do livre-arbítrio da sociedade. Se nós prosseguirmos em determinadas circunstâncias acontecerão tais ou quais ocorrências, mas se mudarmos para melhor acontecerão outras. Então, o ano 2012 talvez esteja dentro desse cômputo das transformações naturais lentas, porque em todas as épocas temos tido maremotos, tsunamis e outros fenómenos sísmicos tão graves quanto esses que ora se encontram anunciados.»

Está nos desígnios da Providência, quando e como a transição do mundo de provas e expiações para mundo de regeneração se dará. Assistimos por estes dias a desencarnações colectivas, que causam impacto da opinião pública, mesmo que os números globais dos que desencarnam diariamente sejam idênticos.

Quem desencarna, não morre. Passa para o mundo espiritual. Como os que todos os dias morrem de fome, de sede, de doenças, e de outras causas perfeitamente evitáveis, não fora o egoísmo que ainda domina o nosso pequeno mundo-Terra.

Confiemos em Deus.

 

O Fim do Mundo - 11



O interior do nosso planeta é composto por metais em fusão, e o nosso planeta já foi bem mais quente que é hoje.

Na verdade, ainda nos nossos dias a Terra só tem uma fina crosta que não está em fusão. A Terra é um planeta dinâmico, está em constante mudança.
Temos terramotos, erupções vulcânicas, ondas gigantes, ciclones, tufões, inundações, glaciações e degelos. O facto de a espécie humana estar disseminada pela superfície da Terra faz com que qualquer desses fenómenos tenham geralmente consequências gravosas.
Em "A Génese"- uma das cinco obras básicas do Espiritismo - os Espíritos afirmam:

“Passou o tempo dos cataclismos gerais, como os que assinalaram os grandes períodos geológicos.”


Nesta obra, editada em meados do século XIX, os Espíritos diziam ainda:

“Fisicamente, a Terra teve as convulsões da sua infância; entrou agora num período de relativa estabilidade: na do progresso pacífico, que se efectua pelo regular retorno dos mesmos fenómenos físicos e pelo concurso inteligente do homem. Está, porém, ainda, em pleno trabalho de gestação do progresso moral. Aí residirá a causa das suas maiores comoções. Até que a Humanidade se haja avantajado suficientemente em perfeição, pela inteligência e pela observância das leis divinas, as maiores perturbações ainda serão causadas pelos homens, mais do que pela Natureza, isto é, serão antes morais e sociais do que físicas.”

"A Génese" debruça-se, na sua primeira parte, sobre a formação da Terra, entre outros assuntos. A Ciência actual ainda não os desmentiu, e, pelo andar dos acontecimentos, não se prevê que esteja à porta um cataclismo global, como algumas religiões afirmam.
Não é missão do espiritismo fazer Ciência. O Espiritismo, no entanto, não sustenta nenhuma crença que vá contra a Razão e contra a Ciência.

O Fim do Mundo - 10

 

Em Mateus, 24, os Apóstolos perguntam a Jesus:

- Que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?

Jesus responde:

- Muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras.
Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terramotos, em vários lugares. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. 
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.
 
Estas passagens dos Evangelhos têm sido interpretadas como o fim da vida na Terra. Fundidas com ideias como a da "ressurreição dos mortos", estas palavras de Jesus foram aproveitadas pelas religiões para construir um cenário apocalíptico de destruição generalizada da Terra.
Segundo essas ideias, forjadas na Idade Média, Jesus descerá dos Céus para julgar todos os homens que viveram na Terra, variando de religião para religião o destino dado aos "puros e aos iníquos".

Essa concepção, nunca afirmada por Jesus, comporta um número infindável de incongruências, como já temos aqui demonstrado.
Por exemplo:

- Para as Testemunhas de Jeová, os "maus" simplesmente serão destruídos. Considera-se nessa religião que Deus não poderia alguma vez condenar alguém ao fogo eterno, um suplício maior que o nosso entendimento...

- Os evangélicos acreditam no suplício eterno.

- Os católicos, presentemente, não estamos a par. O Inferno terá sido abolido pelo Papa João Paulo II. E ainda bem, para tranquilidade dos nossos irmãos católicos...

- Os que não são nem bons nem maus, para onde irão?

- Os que ficarem na Terra, como sobreviverão, sendo tão vasto o número dos seres humanos que já viveram neste acanhadíssimo planeta?

- Poderão reproduzir-se? Se puderem, o problema agrava-se...

É todo um rol de interrogações que obstam a esta teoria, que mais infantil nos soa se tomarmos consciência da insignificância do nosso planeta na imensidão do Universo...

Qual é a interpretação espírita, então?

Para o Espiritismo, o fim do mundo será o fim de um mundo, o fim de um estado de coisas. Não se fará decerto em cerimónia oficial, no dia tal às tantas horas. O mundo de provas e expiações em que actualmente vivemos, dará gradualmente lugar a um mundo de regeneração, mais pacífico, mais justo, onde o Amor será a Lei Maior.

Vejamos o que diz Jesus em João 14:16-26:

16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco,

17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.

18 Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.

19 Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis.

20 Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.

21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.

22 Disse-lhe Judas, não o Iscariotes: Donde procede, Senhor, que estás para manifestar-te a nós e não ao mundo?

23 Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.

24 Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou.

25 Isto vos tenho dito, estando ainda convosco;

26 mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.”


Em nossa opinião, as Escrituras devem ser lidas no seu todo, no seu contexto, e nunca destacando e justapondo as passagens que possa justificar uma dada doutrina. As duas passagens bíblicas constantes neste texto inserem-se em toda uma linha de pregação de Jesus, onde está presente a promessa de um mundo melhor. Não apenas no reino dos Céus (no Além, no mundo espiritual), mas também aqui mesmo, na Terra.

No famoso sermão das Bem-Aventuranças, Jesus felicita os mansos, porque herdarão a Terra. Não herdarão a Terra saindo das tumbas no dia do Juízo Final. Reencarnarão numa Terra renovada, onde só reencarnarão Espíritos que acompanharam a evolução do planeta.


O Fim do Mundo - 9

 

Quem leu as obras básicas do Espiritismo (pelo menos O Livro dos Espíritos, que é essencial), está familiarizado com esta classificação:

Diferentes categorias de mundos habitados:
 
Mundos primitivos

Mundos de expiação e provas

Mundos de regeneração

Mundos ditosos

Mundos celestes ou divinos


Não temos na Terra, ainda, qualquer confirmação de que existam outros mundos habitados no Cosmos. No entanto, já há século e meio que os Espíritos explicaram que os mundos evoluem. A Terra já foi um mundo primitivo, e é hoje um mundo de provas e expiações.

É também fora de dúvida para a comunidade científica que o Homem não apareceu de repente sobre a Terra. Mesmo a Igreja Católica Romana, que tanto verberou o Evolucionismo dos cientistas Charles Darwin (agnóstico) e Alfred Russell Wallace (espírita), já admite que não faz sentido negar as evidências.

O ser humano, tal como os outros animais, tal como as plantas, tem evoluído, ao longo de milhões de anos. Os achados arqueológicos assim o demonstram, sem margem para dúvidas. Assim como não há dúvidas de que existiram dinossauros e de que os répteis são antepassados das aves, também não há dúvidas de que o homo sapiens evoluiu a partir de um ramo da Ordem dos Primatas.



A ordem dos Primatas divide-se em três grupos principais: os prossímios, platirrinos (os macacos do novo mundo) e os catarrinos (macacos do velho mundo), grupo no qual o ser humano se inclui:

Não é motivo de vergonha sermos aparentados com os outros Primatas. Na sua caminhada, o Espírito vai reencarnado e vai evoluindo. O seu invólucro carnal acompanha a sua evolução moral e intelectual. Em vidas pretéritas, tínhamos como objectivo a sobrevivência. As relações humanas eram baseadas na lei do mais forte, os costumes eram rudes.
O progresso da moral e dos costumes, se compararmos o mundo de hoje com o do século XVIII ou XIX já é abismal. A Segurança Social, o fundo de desemprego, o direito de voto, a igualdade entre sexos, os direitos das minorias, a igualdade "racial", os cuidados primários de saúde, a assistência na doença, a propriedade privada, o direito de livre circulação, a liberdade de expressão, a jornada de trabalho fixa, a "semana inglesa", os direitos dos trabalhadores, o livre acesso à Justiça, as Organizações Não-Governamentais (Cruz Vermelha e outras), a liberdade religiosa, e tantos outros direitos, são relativamente recentes.

Mas a aquisição destes direitos, a consumação destes progressos, custou sacrifícios, teve os seus mártires e os seus opositores. O mundo evolui, com maior ou menor sacrifício. A Terra ainda será um mundo de regeneração, um mundo feliz, e finalmente um mundo divino.

Daí as palavras de Jesus:

“Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5.5)

Os que forem mansos e humildes de coração, merecerão a bênção de continuar a reencarnar no nosso planeta regenerado.
É certo que se assiste por estes dias a cheias, derrocadas, terramotos, tsunamis e outros violentos fenómenos naturais. O Mundo de Regeneração está aí à porta. Os que agora partem, muitas vezes no meio de catástrofes naturais assustadoras, em breve estarão de regresso, numa Terra renovada e muito mais feliz e pacífica!

Dizem os Espíritos:


“O progresso é a lei da Natureza.
Ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam.
Segundo esta Lei, a Terra já foi mundo primitivo, é mundo de expiação e provas, e em breve será mundo de regeneração.
A lei de Deus imperará.”



O Fim do Mundo - 8


Quem assim terá falado foi Jesus de Nazaré, que, modelo de homem justo para a Doutrina Espírita. Desgraçadamente, muitos Homens quiseram fazer de Jesus algo que ele nunca foi, um líder religioso. Jesus foi um líder espiritual, pela força do seu exemplo moral e da sua sabedoria.

Dentre as frases que se lhe atribuem, a esta, nós, espíritas, interpretamos como uma afirmação velada de que no Universo nem só a Terra é habitada; e de que existe mais que uma dimensão no Universo.

A Ciência dos nossos dias dá razão a esta interpretação das palavras de Jesus.



Carl Sagan (1934 - 1996), que foi também um líder, mas no campo da Ciência e da divulgação científica, fez estas interessantes afirmações:

"Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço."
"Às vezes acredito que há vida em outros planetas, às vezes eu acredito que não. Em qualquer dos casos, a conclusão é assombrosa."

Carl Sagan, um cientista respeitado, não hesitou em apoiar e liderar projectos que visavam encontrar vida extra-terrestre, e mesmo vida inteligente extra-terrestre.
Alguns de nós ainda se lembram do lançamento de um satélite que transportava uma mensagem codificada destinada a possíveis seres inteligentes residentes algures por esses Cosmos. O chamado Disco de Ouro da Voyager contém 115 imagens e vários sons da Natureza, música de vários autores e géneros, saudações em 55 línguas e mensagens do então Presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter e do então Secretário Geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim.

Num caricato episódio que fez lembrar as objecções papais à nudez das figuras da capela Sistina, em Roma, também a nudez do casal humano constante na mensagem (ver abaixo), foi muito criticada...



Frank Drake, (n. 1930), um cientista igualmente de créditos firmados, viu a sua equação (a famosa Equação de Drake) ser bem acolhida entre a comunidade científica.
Baseado no cálculo de probabilidades, Drake procura determinar o número aproximado de civilizações da nossa galáxia com as quais temos possibilidade de estabelecer contacto.

Alguns sectores religiosos conservadores consideram uma blasfémia que se possa conceber vida fora do nosso planeta. Basta que se estude Astronomia, e se tome consciência da dimensão do espaço sideral, para que se conclua que a Terra é um grãozinho de areia minúsculo, em comparação apenas com a nossa humilde galáxia...
Quando se fala, pois no "Fim do Mundo", com Deus em cima das nuvens a presidir ao julgamento "dos vivos e dos mortos", quem esteja familiarizado com a grandiosidade do Universo, não pode deixar de reprimir um sorriso.
Quanta presunção, a de pensarmos que Deus esgotou a sua Criação na nossa minúscula morada terrestre...

O Fim do Mundo - 7


Os adeptos do "Fim do Mundo" asseguravam que havia "dados científicos" que permitiam prever a catástrofe para breve. Um deles eram as supostas alterações drásticas no campo magnético da Terra. A N.A.S.A. já explicou que as alterações que se registam são as normais e expectáveis. Aliás, esconder alterações significativas, se as houvesse, seria impossível, pois as consequências seriam visíveis.


O mesmo se pode dizer da actividade solar, que se mantém dentro dos padrões cíclicos.

Acresce que o calendário Maia, tal como o nosso, o Gregoriano, era cíclico. O ano de 2012 é o de final de um ciclo de contagem de tempo, e não do fim do planeta, ou do Universo.




Resta o planeta Nibiru, referido por astrónomos da Antiguidade, mas desconhecido dos astrónomos actuais. Ainda que exista tal planeta, nada faz prever que saia da sua órbita e venha colidir com a Terra.


Podemos, pois, estar tranquilos. Mas, ainda que viesse aí o Fim do Mundo, deveríamos estar tranquilos na mesma, pois se cremos em Deus, nada devemos temer.

O Fim do Mundo - 6

O ano de 1999 começou com um certo medo no ar. A passagem de 1999 para 2000 (que muitas pessoas ainda acham que foi a passagem de milénio...) e as previsões de Nostradamus, impressionaram muito boa gente. Michel de Nostredame (1503 - 1566) foi um farmacêutico, astrónomo e astrólogo francês, que, supostamente, teria capacidades de prever acontecimentos futuros.

No entanto, como fez as previsões em linguagem poética e simbólica, a polémica sobre a sua autenticidade nunca terá fim. A seguinte passagem da sua obra foi a que incendiou as imaginações em 1999:

O ano mil novecentos noventa nove, mês sete
Do céu virá grande Rei assustador
Ressuscitar o grande Rei dos Mongóis
Antes e depois de Marte reinar por boa hora

Terá sido uma previsão do 11 de Setembro que falhou por três meses? Terá sido uma previsão que não se realizou? Terá sido Nostradamus alguém que deu simplesmente largas à imaginação?

Actualmente é a famosa Profecia Maia que mais uma vez aponta o Fim do Mundo para 2012. Valha-nos que Isaac Newton ( 1642 – 1727), famoso físico, matemático, teólogo, filósofo e alquimista, anunciou que a data fatídica será 2060, para dar esperanças aos mais alarmistas...

Uma confusão que é necessário desfazer é entre a realidade e a ficção. A receita de misturar realidade e ficção deu resultado com O Código Da Vinci, pelo que parece que será tentada ainda muitas vezes, mas  isto assusta os incautos!...

O filme "2012" é uma obra de ficção. Há de facto um calendário Maia que acaba em 2012, mas daí a dizer-se que será o Fim do Mundo, vai uma distância de todo o tamanho...
Os calendários que temos pendurados nas nossas casas também acabam em 31 de Dezembro de cada ano, e no entanto a vida continua...

(e esta série de posts também, se Deus quiser...)


 

"O Fim do Mundo" - 5


Um dos casos mais curiosos de anúncio do "Fim do Mundo" foi o do monge alemão Michael Stifel (na imagem), que era também astrólogo e cujos cálculos planetários o levaram a fixar a data fatídica em 1533.
Uma valente sova de pau de marmeleiro, administrada pelos populares que se sentiram enganados, terá retirado ao monge o hábito dos cálculos apocalípticos...


Não menos famoso e ainda mais espectacular foi o caso do agricultor norte-americano William Miller. Era um estudioso apaixonada da Bíblia, e quando encontrou a seguinte passagem:

“E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.”

Daniel 8:14

concluiu que o "Fim do Mundo" se daria em dia 22 de Outubro de 1844. Esse dia ficou conhecido como o do Grande Desapontamento.
No entanto, as igrejas a que Miller deu origem (chamadas Milleristas ou Adventistas) continuam a anunciar periodicamente a destruição da Terra pelo fogo, a resurreição dos mortos e o regresso de Jesus para o Juízo Final.
Com os resultados que se conhecem.
 

O Fim do Mundo - 4

 

Seria fastidioso enumerar todos os "mensageiros do fim do mundo" que já existiram. Dos mais ilustres salientamos por exemplo o alemão Johannes Stoeffler (1552-1531), um conselheiro da Corte, astrólogo e catedrático que previu o Apocalipse para 20 de Fevereiro de 1524.
Von Iggleheim, um conde adepto das previsões de Stoeffler, construiu uma "arca de Noé" com três andares.

No dia anunciado, começou a chover logo de manhã. Uma multidão acorreu, em pânico, de tal forma que acabaram por se chacinar mutuamente, a arca foi destruída, e o mundo... não acabou!

O Fim do Mundo - 3

Sem querermos melindrar alguns movimentos apocalípticos que nos afiançam que "o Fim está próximo", dado que, segundo eles, "nunca se viu" tanta impiedade e frieza no coração dos Homens, lembramos por exemplo Cipriano de Cartago, orador, bispo e advogado, que, no ano 250 garantia que:

“Os pecados dos cristãos são prelúdio e prova de que o fim dos tempos está próximo”.


No ano 500, nova onda de terror varreu o mundo cristão, e no ano 1000 ainda mais, de tal forma que os testamentos da época consideravam uma certeza o final dos tempos que estaria prestes a a ocorrer.
No século X, como hoje, a Guerra reinava no mundo. A Europa era um continente particularmente fustigado por esse flagelo, sofrendo sucessivos ataques por hordas de bárbaros Alanos, Suevos, Vikings, Visigodos, Bretões, Saxões, Magiares, Eslavos, Godos, Ostrogodos.
Terá sido dos piores períodos históricos do Velho Continente. A fome, a peste, as pilhagens, os massacres constantes dos bárbaros, tornavam a vida diária extraordinariamente penosa.

No ano de 1033, ainda por cima, passavam 1000 anos da morte de Jesus. O Fim do Mundo não veio.

O Fim do Mundo - 2

Dois "motivos" que em todas as épocas têm levado muita gente a crer que estão próximos os "dias do Fim", são o crescimento da malvadez dos homens e... os números "redondos".


O teólogo Justino, também conhecido como S. Justino ou Justino Mártir (100 - 165 d.C.), no ano 130 da nossa Era, não tinha quaisquer dúvidas em afirmar: “Deus está a atrasar o Fim do Mundo”.
Passavam 100 anos do início da pregação de Jesus de Nazaré, e, para as pessoas da época, era mais que tempo de "o mundo acabar", de se dar o Julgamento Final e de os "escolhidos" habitarem a Nova Jerusalém, o Paraíso Terrestre, ou irem para o Céu, para a direita de Deus-Pai. Os iníquos, os "pecadores", naturalmente iriam para o Inferno.

Já falámos sobejamente neste blogue (veja-se nas etiquetas da barra lateral), de infernos, demónios e visão espírita da Bíblia. Não nos vamos agora deter nessas considerações. Fiquemos para já com a ideia de que desde há 2 mil anos constantemente o "Fim dos Tempos" é anunciado "para breve".
 

"O Fim do Mundo" - 1

 Ainda há poucos anos reinava grande apreensão, por causa do "fim do mundo", que se aguardava para o ano 2000, e eis que estamos de novo imersos em ambiente de Apocalipse, por causa do filme "2012"... 

Também recentemente, a obra de ficção policial "O Código Da Vinci" andava nas bocas do mundo, sem que aparentemente as pessoas entendessem que se tratava disso mesmo: ficção.


Esta moda do fim do mundo já vem de longe. Falando apenas do chamado mundo ocidental e do período pós-Jesus, tivemos, logo no ano 70 da era cristã, a destruição do Templo de Jerusalém.

Findo o período de cativeiro na Babilónia, o Povo Judeu, regressado à Pátria, ergueu o Segundo Templo, para substituir o antigo Templo de Salomão. Este templo manteve-se integralmente erguido entre 515 a.C. e 70 d.C.. Nesse ano, as revoltas dos Judeus contra a ocupação Romana atingiram um ponto crítico, que culminou numa grande revolta em que foram massacrados um milhão de judeus, às ordens do general Romano Tito Flávio.

Quando vemos na televisão os judeus fazendo as suas orações junto ao Muro das Lamentações, esse muro é a única porção do Templo que ficou de pé após esses dramáticos acontecimentos.

Esse foi considerado, para alguns judeus dessa época, o cumprimento da profecia:

"Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada."

(Mateus, 23:37-39 e 24:1-2)

Imagina-se a desorientação e o pavor dos sobreviventes, que consideraram que se tratava do fim do mundo. No entanto, a vida continuou, e noutros lugares do mundo nem se soube dessa tragédia.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Apocalíptico!


Um sismólogo e um sismógrafo.
Escreve o jornal Público:


Fica-se na dúvida sobre se o senhor Raffaele era sismólogo apenas, ou se também possuía faculdades de previsão. É que os meios científicos, que se saiba, não permitem prever sismos com tanta exactidão e antecedência.

Um leitor comenta assim a notícia:


Ant.º Silva Lopes , Sesimbra. 11.05.2011 11:14
As bruxas e os adivinhos ficam.

«Milhares sairem de Roma é uma prova definitiva do infantilismo, credulidade e superstição, de uma certa debilidade mental que atravessa a nossa sociedade ocidental - pobres, remediados e ricos - presa ainda a crenças rústicas e arcaizantes, como a adivinhação, a profecia, o espiritismo, e sujeita ao pernicioso tráfico de toda a espécie de burlões e de falsários, que parasitam a ignorância e a falta de instrução (um mal do nosso tempo) e sobretudo o medo atávico do desconhecido, do meio ambiente natural (um instinto primário de conservação, imemorial). Só isto explica que milhares saiam de Roma e as bruxas e os adivinhos fiquem.»
Está claramente equivocado, o senhor Silva Lopes. O Espiritismo é exactamente o oposto da crendice e da superstição, pois defende a fé raciocinada, o primado da razão e da Ciência, e a compatibilidade entre a Ciência e a Religião.
O Espiritismo é um movimento humanista, voluntário, sem quaisquer fins lucrativos, que defende a existência de Deus, a imortalidade da alma, a lei de causa-efeito e a pluralidade dos mundos habitados.
O Espiritismo é Cultura.

As profecias do Fim do Mundo são do âmbito das religiões tradicionais, cujas escatologias defendem cenários como este, que o digno Pastor Adelino de Sousa, da Assembleia de Deus, expressivamente divulga (crenças, aliás, absolutamente respeitáveis, mas que não são as nossas).

Convidamos o leitor do Público a ler os artigos que temos postado neste blog sob a etiqueta "Fim do Mundo".

Apocalipse de sábado de manhã



Juízo Final, o Fim dos Tempos, o Fim do Mundo. A última vez que assistimos a uma febre destas foi no ano de 1999, que antecedia a data redonda do ano 2000, preferido da ficção científica. Agora é o Dezembro de 2012 que se anuncia como nova data da Grande Desgraça.
Um final desta Era sob a forma de um Apocalipse terrífico ao som de trombetas, não é a visão espírita das Escrituras Bíblicas, mas escusado será dizer que respeitamos inteiramente tais opiniões.

Para a Doutrina Espírita, o fim está próximo, certamente. O fim de um mundo em que o egoísmo ainda domina. A Terra já foi um mundo primitivo, totalmente regido pela lei do mais forte. As épocas sombrias de poder despótico, de brutalidade, foram dando lugar a novos tempos de raciocínio cada vez mais livre, de liberdade individual cada vez maior, de bem-estar, ciência, tecnologia, cultura e justiça. Sem datas marcadas, a Terra continuará naturalmente a evoluir, com percalços e sofrimentos, como acontece em todas as crises de crescimento.

No sábado de manhã saí a passear ao campo. Estava um dia maravilhoso e Primavera mostrava-se no seu esplendor. O ritmo da vida mais calmo, as pessoas mais sossegadas, trabalhando e fazendo o que gostam. Uma sensação de paz. É assim que imagino a atmosfera dos dias que aí vêm.

Quando cheguei a casa, curiosamente, tinha mais uma delegação da Inquisição porta-a-porta, que vinha trazer-me, como aquele característico sorriso, mais um ultimato à conversão forçada, sob pena de passar a Eternidade no Inferno, e desde logo não "subir", quando, segundo eles, acontecer isto:

Sempre que me ameaçam com estes apocalipses, respondo que o melhor é a gente esperar para ver. Afinal de contas, o famoso Dezembro de 2012 está quase aí, e acima de tudo, aos sábados de manhã falta-me um bocadinho a paciência para filmes de terror.


POST-SCRIPTUM: Veio o fatídico Dezembro de 2012 e nada aconteceu. Que surpresa...